Europeus do G20 querem controlo a sério dos mercados e reforço do FMI
Os membros europeus do G20 concertaram ontem posições numa cimeira convocada pela chanceler Angela Merkel, com o fim de preparar a próxima reunião do G20, que decorrerá em Londres, no próximo dia 2 de Abril. Deste encontro em Berlim saíram duas resoluções gerais, que ainda carecem de propostas estruturadas de concretização.
A Alemanha, a França, o Reino Unido e a Itália - membros europeus do G20 -, juntamente com a Espanha e a Holanda, países convidados para a cimeira de Londres, e, ainda, a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e a presidência checa da União europeia, concluíram que as instituições financeiras internacionais precisam de ser reforçadas financeiramente. Para tal, acordaram que o Fundo Monetário Internacional (FMI) precisará de um reforço de 500 mil milhões de dólares para que possa estar em condições de prestar apoio a países membro em dificuldades no decurso da actual crise financeira, cujo fim ainda não está à vista. ( O Governo do Japão já tinha declarado antes da reunião de Berlim estar disposto a canalizar 100 mil milhões de dólares para o FMI com idêntico propósito.)
A chanceler Merkel propôs criar Uma Carta Global da Economia Sustentável, com princípios éticos para a actividade de todos os Estados, que mereceu o apoio dos restantes participantes na reunião de Berlim. Dela saiu anda a decisão dos presentes advogarem em Londres um controlo efectivo de todos os produtos, incluindo os hedge funds, altamente especulativos, e mercados financeiros, supervisionando todos os intervenientes neles, incluindo as agências de notação financeira. Os paraísos fiscais, segundo Merkel, vão ser combatidos pelo G20, exigindo-se um novo regime de transparência das suas actividades sob pena de sofrerem sanções.
A este propósito já se verificaram duas reacções por parte dos dois países europeus mais acusados de promoverem a opacidade das actividades financeiras nos seus territórios, a Suíça e o Luxemburgo. A Suíça lamentou não ter sido convidada para participar na cimeira de Londres, tendo em conta o papel importante que desempenha na finança internacional. A ausência de convite não será alheia à dificuldade por parte da banca suíça em levantar o sigilo bancário. Recentemente, só por acordo especial é que a justiça dos EUA conseguiu obter informação do maior banco suíço, o UBS, sobre 250 depositantes norte-americanos, acusados de evasão fiscal. Mas há mais 52 mil suspeitos, com contas por desvendar.
O Luxemburgo por sua vez, na voz de um seu ministro, advoga a "redefinição" do segredo bancário e não a sua abolição, que implicaria o despedimento de 150 mil funcionários do sector bancário, vindos da Alemanha, da França e da Bélgica, diariamente para trabalhar no grão-ducado.
Gordon Brown fez votos para que a cimeira de Londres em Abril ponha no centro das soluções as pessoas "que têm hipotecas de casa para pagar, que têm medo de perder o seu emprego e que querem arranjar capital e não sabem como". Terminou afirmando que muito já foi feito, mas é preciso fazer mais.
Nicolas Sarkozy, presidente da França, declarou no fim da reunião que Londres é "uma última hipótese, que não pode falhar." Advogando medidas de reforma estruturais, Sarkozy afirmou que é preciso sanções para pôr em prática uma nova regulação e que, se isso não for feito, se as offshores não forem combatidas, "as pessoas revoltar-se-ão e com razão".
Fonte: Diario de Notícias
24 de fevereiro de 2009
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