Líderes Europeus preparam uma cimeira extraordinária para cerrar fileiras na UE
Os europeus preparam uma cimeira extraordinária sobre a crise económica até final do mês para cerrar fileiras na União Europeia, quando a tentação é cada um cuidar de si e aumenta a tensão entre Praga e Paris.
O primeiro-ministro checo, Mirek Topolanek, disse hoje que admite "convocar um Conselho Europeu informal antes do fim de Fevereiro" em Bruxelas.
"O objectivo deste encontro de chefes de Estado e de Governos será examinar as medidas tomadas até agora e a eficácia destas medidas", acrescentou.
A data exacta desta cimeira deverá ser revelada quarta-feira, depois de um encontro em Bruxelas entre Topolanek e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.
Este anúncio segue-se a pressões da França que não esconde em privado as suas críticas pela passividade da presidência checa, que lhe sucedeu à frente da UE.
Ao fazê-lo, Praga tirou o tapete a Paris e Berlim. Topolanek oficializou, ao mesmo tempo que a Comissão, a intenção de reunir os 27, antes mesmo de o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e da chanceler alemã, Angela Merkel, terem tido tempo de divulgar uma carta na qual "propõem" uma cimeira. Já no sábado, Sarkozy evocara o envio desta carta falando de uma "iniciativa comum franco-alemã" sobre a crise.
Esta cimeira tem por objectivo reforçar uma coordenação europeia enfraquecida face à crise, que deixou desenvolver tendências proteccionistas.
A França anunciou hoje ajudas suplementares à indústria automóvel de um montante global de 7,8 mil milhões de euros, designadamente empréstimos de 3 mil milhões de euros aos construtores nacionais PSA Peugeot Citroën e Renault, com a condição de manterem as fábricas no país.
Apesar dos desmentidos de Paris, este plano tornou-se emblemático da controvérsia sobre o regresso do proteccionismo na Europa. Foi antecipadamente criticado pelos checos, furiosos por Nicolas Sarkozy ter mencionado abertamente a semana passada o seu país numa referência às deslocalizações industriais a evitar.
Outros países manifestaram hoje inquietação. Numa alusão velada ao projecto francês, o ministro alemão Peer Steinbrück disse que era preciso "ter muito cuidado" quando "se tenta introduzir o proteccionismo via condições do plano de relançamento". O ministro holandês Wouter Bos vincou: "não é bom para nenhuma das nossas economias abrir a porta ao proteccionismo".
O perigo é tanto maior numa altura em que os governos europeus agem de novo de forma dispersa face à crise, sob a pressão das suas opiniões públicas, com cada um a anunciar medidas isoladas de apoio aos bancos ou à actividade económica.
"Estou um pouco preocupado por Estados membros uns a seguir aos outros prepararem os seus próprios planos e programas", afirmou o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, hoje em Bruxelas ao chegar a uma reunião dos ministros das Finanças da zona euro.
"Continua a ser essencial uma abordagem coordenada para maximizar os benefícios para toda a União", escrevem Sarkozy e Merkel na sua carta.
Fonte: Lusa
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