Rússia e UE assinam acordo para envio de observadores mas falta Ucrânia
A Rússia e a União Europeia (UE) assinaram hoje um acordo para que observadores da UE monitorizem o transporte do gás russo pela Ucrânia. No entanto, este acordo - uma condição essencial para a retoma do fornecimento do gás russo para a Europa - tem de ser assinado pela Ucrânia para entrar em vigor.
O acordo foi aprovado na sequência das conversações de hoje entre o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, e o seu homólogo checo, Mirek Topolanek, cujo país detém a presidência rotativa da União Europeia. Para Putin, o acordo por escrito é necessário para controlar o fluxo de gás para a Europa. Moscovo acusou a Ucrânia de roubar gás russo, mas Kiev negou de imediato a acusação.
Apesar do passo dado entre a União Europeia e Moscovo, a Ucrânia está contra as "condições inaceitáveis" exigidas pela Rússia para a criação de uma comissão internacional de observadores para controlar a passagem do gás através do seu território, declarou hoje o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Konstantin Elissev.
Kiev não aceita a proposta da Rússia com vista ao acesso ao sistema de transporte de gás não só da empresa russa Gazprom e de peritos da Comissão Europeia, mas também de mais representantes de cerca de 12 empresas de distribuição de gás europeias, cuja parte significativa do capital é controlada pela Gazprom.
"Ao mesmo tempo", continua Eliseev, "a parte russa não prevê o respectivo controlo das suas capacidades por terceiros países". "Trata-se de uma tentativa de estabelecer o controlo sobre o sistema de transporte de gás ucraniano com o objectivo da sua expropriação pela parte russa", acrescentou. Kiev defende que peritos da Comissão Europeia, Gazprom e Naftogaz da Ucrânia devem controlar não só o sistema de transporte de gás ucraniano, mas também o russo, e em igual medida.
"A parte ucraniana propôs que no protocolo sobre o controlo dos fornecimentos de gás tudo seja simétrico. Ou seja, a parte russa permite o acesso às suas estações de transporte de gás para o estudo do seu funcionamento, para análises das leituras dos contadores pelos peritos. E nós autorizaremos a fazer exactamente o mesmo nos sistemas ucranianos que transportam gás para a Europa", declarou Vladimir Trikolitch, vice-presidente da Naftogaz da Ucrânia. "Não compreendemos porque é que a Gazprom não quer assinar esse protocolo, tanto mais se temos uma abordagem semelhante", frisou.
As autoridades russas acusaram hoje o Presidente ucraniano, Victor Iuschenko, de impedir o trabalho da comissão de controlo internacional que se encontra em Kiev desde ontem. Não obstante as divergências, Trikolitch anunciou que se estão a registar progressos nas conversações entre a Gazprom e a Naftogaz, que se estão a realizar hoje em Moscovo.
Fonte: Público
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