Exportações para a Europa entram no vermelho
As mercadorias para a União Europeia registaram uma contracção de 0,4% de Janeiro a Outubro, de acordo com os dados preliminares da Aicep a que o Diário Económico teve acesso. Este é um comportamento inédito pelo menos desde 1993, um ano igualmente de recessão.
Com 21,84 milhões de euros de produtos vendidos para a UE-27, de Janeiro a Setembro – altura em que as exportações ainda estavam a registar um crescimento de 1% em termos homólogos – as empresas nacionais terão de vender, pelo menos, 6,97 milhões de euros para perfazer o valor de vendas ao exterior realizadas em 2007. Contudo, tendo em conta o número cada vez maior de economias europeias a deslizar para a recessão essa será uma tarefa difícil. E os empresários têm consciência disso.
“Estes dados são compreensíveis face ao arrefecimento dos mercados comunitários”, afirma o antigo ministro da indústria, Mira Amaral. Em declarações ao Diário Económico, o responsável defende que o caminho passa pela aposta em mercados como Angola Rússia, Argélia, Líbano. “Não há outro método, senão apostar nos mercados emergentes. Com a recessão as empresas não podem fazer milagres”, acrescenta.
O presidente da Aicep, Basílio Horta, atesta que essa é a estratégia que tem vindo a ser seguida. “Até agora, a nossa estratégia tem sido diversificar as exportações e os mercados. Ainda não conseguimos tanto como queríamos, mas já temos alguma diversificação”. E dá exemplos. “Neste momento, o mercado espanhol ainda representa mais de 27% das exportações nacionais, mas há alguns anos era 33%”. “Nesta altura, os mercados extracomunitários representam já mais de 25% das exportações portuguesas. Há cinco anos atrás, este valor não chegava nem a 10%”, acrescenta. Basílio Horta apesar de “preocupado” com o facto de as exportações de mercadorias terem entrado em terreno negativo, prefere sublinhar o crescimento de 15,5% deste tipo de vendas para fora da União Europeia. Apesar de ser um abrandamento face aos dados disponíveis até Setembro – que apontavam para um crescimento de 16,3% – o presidente da Aicep frisa que se mantém “o ritmo de crescimento”.
“No global, o conjunto das exportações de bens cresceu 3,3% de Janeiro a Outubro”, concluiu.A crise em mercados como os EUA, Reino Unido e França é a principal causa do mau desempenho que, segundo os economistas ouvidos pelo Diário Económico, se deverá agravar ao longo do próximo ano.
“Só no segundo semestre de 2009 será visível alguma melhoria, mas tudo dependerá do que vai acontece nos EUA”, afirma a economista do BPI, Paula Carvalho. O facto de as exportações de serviços “estarem a correr bem” – até Setembro este segmento crescia 7% – “poderá compensar a tendência de agravamento nas mercadorias”, diz Paula Carvalho. Mas, reconhece, “nunca serão suficientes para inverter a tendência”. Na sua opinião, às empresas não resta mais do que “reduzir margens e acrescentar valor ao que vendem”.“O problema é que as empresas portuguesas não são fortes do ponto de vista de marca e estão dependentes da negociação de preços. Com a crise acabam por sofrer mais”, afirma o professor do ISEG, Carvalho das Neves. Um problema que apenas se resolve com recurso ao marketing, uma solução de “médio, a longo prazo, que exige investimento” e o crédito é uma questão polémica
Fonte: Diário Económico
Sem comentários:
Enviar um comentário